Madonna e a revolução do álbum Ray of Light

Feita por Henrique Barros.

Com influências no techno, acid house, drum & bass, trance, house, o álbum foi responsável por introduzir muitas pessoas à música eletrônica.

Madonna é, sem dúvidas, umas das artistas pop que mais utiliza a música eletrônica em seu repertório. Durante sua carreira ela vem experimentando e sintetizando ideias, conceitos e elementos da música eletrônica, transformando música pop em um híbrido instigante com excelente produção que agrada até os ouvintes mais exigentes. Entretanto existe uma linha do tempo para essas experimentações.

Separando as produções em antes e depois do álbum Ray of Light, seu sétimo álbum de estúdio. Não é que exista ausência desses elementos eletrônicos em trabalhos anteriores, temos, por exemplo, Bedtime Stories que é umas das suas melhores músicas “poptrônicas”, porém só foi a partir do Ray of Light que sua sonoridade tomou um rumo explicitamente eletrônico. Mesmo experimentando diversos outros ritmos e sonoridades, o elemento eletrônico quase sempre está presente. Antes do Ray of Light Madonna moldava sua música de acordo com as tendências e fazia isso muito bem, mas só após ser boicotada nos Estados Unidos por conta do seu Sexbook, ela decidiu seguir um caminho diferente e ousar em sua sonoridade, focando no público europeu. Numa época onde as paradas musicais eram dominadas por baladas românticas, Madonna chegou para introduzir música eletrônica que, até o momento, não funcionava no meio mainstream.

Em junho de 1997, era iniciada a produção do Ray of Light. Após experienciar a maternidade e se aprofundar em assuntos como hinduísmo, budismo e kabbalah, Madonna descobria o prazer da vida e passava por um processo de autoexaminação e autodescoberta, traduzido tudo isso em sua obra: música eletrônica com sentimentos. “Drug music without drugs”. – Comenta em estúdio durante a produção de Skin, quinta faixa do álbum. O álbum nasce com influências do techno, acid house, drum and bass, trance, house e com arranjos de guitarra por William Orbit, produtor que trabalhou junto com Madonna em todo o processo de produção e criação.

Ray of Light traz a mistura e dosagem perfeita de música, espiritualidade e sentimento. Juntos, Madonna e Orbit trouxeram ao mundo um daqueles álbuns atemporais e que mudaram o jogo. Madonna foi lançada de volta às paradas e William Orbit ao mainstream. A música eletrônica chegou a novos ouvidos com uma nova roupagem.

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A música eletrônica e suas conexões

Feito por Lídia Freitas, ela compartilha que desbravar festivais virou sua paixão.

Hoje vim contar um pouquinho de como começou minha vida de rolezeira.

Comecei a dar role em festival de trance com uns 17 anos… nem preciso falar que foi um caminho sem volta né, me apaixonei! De lá para cá (já se passaram 9 anos, rsrs) eu expandi muito meu gosto musical e comecei a frequentar festivais de música eletrônica sempre que tinha oportunidade. Lembro como se fosse hoje do meu primeiro festival fora do Brasil, um EDC em Londres, 2013. Foi mágico, tudo era incrível, a música, o lugar, as luzes, a forma com a qual eu me sentia segura entre aquelas pessoas… sempre comento que pretendo frequentar festivais para o resto da vida. Quero ser aquela vovó que continua usando preto e ouvindo um som louco.

Dentre todas as experiências, festivais, eventos, encontros e reencontros vim compartilhar um dos dias que mais me marcou, quando senti uma felicidade plena através daquele som e que só de lembrar já começo a sorrir.

Morava na Espanha em 2016, lá rolou um festival no pátio da Universidade de Madrid, o Utopia. Fui com amigas, o dia estava muito quente, comecinho de junho, sol até às 21h…. lembro direitinho do Maceo Plex tocando, depois do festival ouvi esse set umas 20 vezes (rsrs). Que rolê, foi inesquecível. Foi um dos últimos festivais que fui durante esse ano que passei lá, tinha muito sentimentalismo envolvido, era quase que uma grande despedida e, por isso, guardo comigo até hoje cada minutinho daquele fim de semana. Construí naqueles dias memórias eternas com minhas amigas e com os novos amigos que fizemos em Madrid. Inclusive, graças a esses novos amigos passamos a noite num apartamento chiquérrimo que merece ser mencionado (rsrs).

Estávamos hospedadas na casa de uma galera que não nos deu a chave… ‘Na real’, eles pareciam estar meio ‘bodeados’ da gente lá, e aí estávamos cogitando passar a noite rondando pela cidade, sem rumo, até amanhecer. Eis que o pai de um desses amigos que fizemos tinha um puta apartamento (que parecia mais um hotel) e nos abrigou: ou seja, num minuto a gente ia passar a noite sentada no meio fio e no outro estávamos tomando banho com água quente e toalhas brancas fofinhas (rsrs) foi engraçado.

Nesse final de semana, criamos um elo que tenho certeza que vai ser para sempre. A música eletrônica une, espalha amor e cultiva irmandade entre as pessoas, é sério! Nunca mais fui a mesma.

  • Foto: Arquivo pessoal Lídia Freitas
  • Foto capa: Kaorone Photography

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Um sonho de 24 horas que tive

Feito pelo Gustavo Tiné, ele conta sobre seu primeiro contato com a música eletrônica em um festival na cidade de Matosinhos – Portugal.

Por Gustavo Tiné
Foi na praia de Matosinhos, em Portugal, que as melhores 24 horas da minha vida aconteceram. Galera, foi o sábado e domingo mais fodas dessa minha existência. Brotamos no sunset, nova era, eu, minhas irmãs – tenho uma hermana lusa – e uma amiga delas, o bagulho tinha uma estrutura que prometia deixar todo mundo ensandecido. E caralho, não deixou a desejar, do começo ao fim.


Foi um rolê muito sensacional. Sinceramente, até ir, não me imaginava lá, nem estava muito afim, pois nunca tinha vivido uma experiência como essa, mas bicho, eu não me arrependi por cada grito que dei, pulo, pela vista que nos presenteava quando se aproximava o pôr do sol, por nada mesmo.


Tudo que aconteceu no festival EDP Beach Party (conhecido atualmente como Galp Beach Party) no ano de 2015 ficará em meu coração para sempre. Cada música bem produzida, pelos ótimos DJs e por cada amizade inusitada que fiz, isto tudo está eternizado. Quando acordei para a realidade, após aquelas mágicas 24 horas, eu pensei: “quem me acordou e por que me acordaram? ”.

Foto: César Castro

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