P.E.U lança EP ‘Connected’ com seu mais novo projeto de Techno

E quem acha que essa é sua primeira produção está enganado.

A vertente escolhe o artista ou o artista escolhe sua vertente? Em meio a diversas linhas sonoras da música eletrônica, DJs e produtores estudam, experimentam e buscam formas de encontrar seu estilo e se destacar em sua área. Muitos têm “sorte” de se encontrar logo no início da sua trajetória. Alguns resolvem tentar uma vertente, pois naquele momento era ideal e outros mudam seu estilo no decorrer do caminho. Normal, e tá tudo bem, o ruim seria permanecer fazendo algo que não faz mais sentido, não é mesmo? Mas o porquê de mencionar isso tudo?

O pernambucano Pedro Vieira, 28 lança seu primeiro EP ‘Connected’ pela gravadora brasileira NODATA através do seu novo projeto: P.E.U. Com três tracks de techno altamente bem produzidas e cheias de sons espaciais (Hypnotic), melodias com vocais, uma pincelada de breakbeat (Much More) e claro, o cargo chefe da sua criação, ‘Connected’, perfeita para ser escutada com os olhos fechados, imaginando estar no seu club favorito. O EP já teve suporte do Victor Ruiz: “Ótimas produções. Connected é a minha favorita. Se os tempos fossem outros, tocaria totalmente essas músicas nas pistas”. Vale ressaltar que sua produção ficou entre os top 100 releases no beatport. Ficou afim de escutar?

Quem acha que essa é a sua primeira produção está enganado. Antes de embarcar na vertente do Techno, Peu tinha um antigo projeto de Psytrance chamado Ambersonic, onde conseguiu diversas gigs por quase todo o Brasil. Mas sua história com a música começou bem antes, em 2007, quando participou de uma banda de Rock ‘Stealth’ com mais quatro amigos, tocando em diversos cantos da cidade do Recife.

(Pedro Vieira na ponta do lado direito com amigos da banda ‘Stealth’)

Foi no ano de 2011 que decidiu optar por um caminho que ele mesmo poderia construir através dos seus gostos. Entrou no curso de Produção Fonográfica na Faculdade Aeso Barros Melo em Olinda, onde despertou o interesse pela mixagem. No ano seguinte ele teve sua primeira gig, levando o nome de ‘Reck Moon’.

(Pedro Vieira em sua primeira gig no ano de 2012)

Em 2014 percebeu que gostaria de alcançar novos caminhos e focou na trajetória de produtor. Mas foi só em 2015 que o projeto Ambersonic surgiu. Mas voltando ao assunto sobre escolhas e vertentes, Peu é um exemplo claro de que sempre é possível um novo começo quando se trata de ir em busca de uma sonho:

“A decisão de criar um novo projeto e sair da cena psicodélica não foi nem um pouco fácil, porém foi natural. As minhas influências e as festas que eu estava frequentando já não eram mais as mesmas e consequentemente meu som no Ambersonic também não. Deixar um projeto no qual eu já estava trabalhando desde 2014 era um passo importante que eu precisava dar para assumir minha nova identidade e liberar minha criatividade na produção. Artistas como Victor Ruiz me inspiraram a dar esse passo, pois ele também passou por esse processo de transição mostrando que é possível começar uma nova jornada e se aventurar em outras cenas”, comenta Peu.

Victor Ruiz iniciou na cena eletrônica em 2006 como DJ e produtor de Psytrance, com o seu projeto Prisma. “Inicialmente eu produzia Psytrance (em 2006). Cerca de três anos depois eu comecei a produzir Techno e não parei mais. Demorei bastante para “me achar” no estilo de som, pois por um tempo fiquei passeando por alguns estilos, inclusive o Tech House, mas eu vi que o que realmente gosto é de Techno” falou Victor em uma entrevista para o site Ace Project Music.

Em seu Instagram, Peu resolveu apresentar seu projeto no dia de seu aniversário, citando um trecho do livro ‘’O poder do agora’’ para falar sobre essa sua nova, ousada e promissora jornada.

Pedro é o tipo de artista que merece toda nossa atenção, não só pelas suas produções de alto nível, mas pela sua trajetória. Reforçando assim sua persistência, força de vontade e claro, muita coragem, mostrando que as dificuldades enfrentadas no meio artístico podem transformar e impulsionar sua carreira.

Por aqui, já estamos de olho e acompanhando seus trabalhos, e vocês?

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Gravadora potiguar lança EP ‘Get Out’

A ponderação entre sons orgânicos e os elementos digitais.

Como sabemos, a música sempre esteve presente na cultura da humanidade. As poesias acompanhadas por sons e os poemas simbolistas que visam a musicalidade nas suas criações são exemplos do uso artístico da música, no qual o objetivo é proporcionar prazer aos ouvidos e evocar sentimentos.

O fato é: a música existe em suas diferentes formas e nos afeta de modos distintos. Ativa memórias e sensações, passa mensagens, como também desperta reflexões. E é esse o conceito do EP ‘Get Out’. Ele coloca em ponderação o digital e a natureza ao juntar sons orgânicos e elementos tecnológicos criando um desapego consciente do mundo digital, proporcionando ainda uma redescoberta de universos externos e internos. Inclusive a arte de capa feita pelas meninas da NhacNhacGluGlu (@nhacnhacgluglu) é uma ilustração inspirada na Praia de Pipa, localizada no estado do Rio Grande do Norte.

Todos esses sentimentos podem ser despertados ao ouvir o EP da gravadora potiguar Sabiá Records. Com 02 faixas originais – ‘Get Out’ e ‘Rebellion’ – assinadas pelo artista Dan Cunha, o release conta com a participação do duo Blue&Red, responsável pela impressão de elementos percussivos na faixa que deu nome ao lançamento, e ainda traz reinterpretações únicas dos residentes Racsobr e FMENEZS. Saca só:

Com faixas atmosféricas, onde as músicas se comunicam de forma coerente entre si, a Sabiá Records se utiliza da bagagem musical dos artistas envolvidos para imprimir originalidade em cada lançamento. Para o DJ e produtor Dan Cunha a participação desses artistas surgiu de forma totalmente despretensiosa: “Enquanto produzia as músicas e pensava no conceito artístico do EP, a ideia de ter os três projetos (Blue&Red, Racsobr, e FMENEZS) veio de forma instintiva, porque além da admiração profissional, também rola uma confiança mútua entre nós: sabemos o quanto cada um se dedica e leva a música a sério.”

A essência que este EP carrega é muito mais do que despertar sentimentos e reflexões, é provocar a busca pelo equilíbrio.

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“A nossa constante busca por construir espaços receptivos e sinceros na 101ø é o grande segredo do nosso crescimento…”

Apesar das diferenças nesse país de proporções continentais, nós, brasileiros, compartilhamos determinados movimentos. A cena eletrônica de Belo Horizonte e do Recife, apesar da distância, demonstram estar sintonizadas. Eventos fortalecidos, inclusivos é uma busca pela valorização de artistas locais revelam que estamos no caminho certo.

João Vitor Cobat, com 25 anos, a mente por trás do projeto Omoloko, está no Recife para sua tour Nordeste. Cobat já passou por São Luiz do Maranhão e após se apresentar no Recife na festa do Coletivo Revérse, segue para Fortaleza.

Como um dos fundadores do coletivo 101ø em Belo Horizonte, recentemente teve sua festa transmitida pelo Boiler Room durante o Carnaval. João é um dos responsáveis pelo fortalecimento da cena eletrônica mineira, participando de movimentos que ocuparam espaços públicos e conectaram artistas de renome mundial.

O Dj tem construído seu legado dentro e fora do país, passando por vários eventos importantes como ODD e Gop Tun. Ainda neste ano, João fará sua estreia no Dekmantel (Holanda) e claro, em clubs de Berlim. Não poderia faltar né?

Nesta semana conversamos com o Omoloko, que compartilhou com a gente: “Há muito tempo eu não ficava tão ansioso para tocar em um lugar…”

Em uma entrevista exclusiva, batemos um papo relevante sobre o início da sua carreira como DJ, o significado do nome do seu projeto, o sucesso e dificuldades da cena mineira e muito mais…

Vamos nessa acompanhar?

Mas antes, um vídeo seu no Festival de fim ano XAMA 2019/2020 já para ler instigado…

Vídeo: Cognição Eletrônica

  • João Vitor, você é um dos criadores da festa 101ø e Curral em Belo Horizonte, como também é residente da Mientras Dura na mesma cidade. Seu projeto está presente em vários eventos nacionais e agora, em um festival internacional (Dekmantel Holanda-2020). Mas queremos saber, como foi seu início com a música eletrônica e quando foi que você decidiu ser DJ?

Omoloko: Minha relação com a música em geral começou desde de muito pequeno. Música sempre foi uma arte que me tocou de várias formas, eu quem arrumava as playlists que iam tocar quando eu viajava com meus pais e saia com meus amigos. Sempre fui muito curioso por achar novos sons, inclusive competia com meu irmão (que hoje é meu agente) quem encontrava as coisas mais desconhecidas.

Desde os 12/13 anos eu tinha o Virtual DJ instalado no meu computador e na época, sem internet, ficava mexendo nele e criando sets. Aos 18 anos fui ao meu primeiro festival de música em geral, o Universo Paralelo. Lá tive contato com um tipo de música que explodiu minha cabeça, com uma cultura de DJ que nunca havia presenciado. Sai de lá motivado a fazer aquilo da minha vida, principalmente depois de dançar mais de 16 horas na pista com o Voodoohop tocando. Nunca tinha ouvido aquele tipo de estilo na minha vida e estava totalmente encantado.

  • Explica um pouco a relação do nome do seu projeto (Omoloko) com a música eletrônica.

Omoloko: Logo depois do Universo Paralelo, estava me mudando pra Belo Horizonte para estudar engenharia química e fui para o estado, com uma ideia paralela de criar um projeto musical por lá. Assim surgiu o Omoloko, o nome é de uma religião, de matriz africana que mistura Umbanda com Candomblé. Lembro que era uma religião presente na minha vida durante o tempo que morei na Bahia, e adorava a ideia de misturar tanto a Umbanda quanto o Candomblé. Meus sets sempre tiveram esse intuito de misturar estilos musicais e de caminhar por essa combinação; Além de que, eu toco muita música com presença de percussão.

  • A criação de um evento e o objetivo de fortalecer a ‘cena’, através de festas em espaços públicos, clubes e festivais é sempre um trabalho exaustante, sendo necessário MUITA força de vontade para querer fazer acontecer. E é bem evidente que em Belo Horizonte, vocês estão conseguindo reproduzir muito bem tudo isso. Dessa forma, queremos saber quais foram os aspectos principais do sucesso da cena mineira? Ou seja, o que mais ajudou? As pessoas? Rede social? Conta para gente!

Omoloko: As coisas começaram do 0 em BH, eu faço parte desde o início dessa construção e acredito muito que o que fez a gente crescer foi a sinceridade que sempre entregamos para as pessoas. Eu sempre digo isso, e o que acho super revolucionário é a forma que mudamos o jeito de se sair à noite. Já fui impedido de entrar em boate em Belo Horizonte por estar de chinelo, imagina o tanto de outras opressões que esses lugares vinham cultivando… A nossa constante busca por construir espaços receptivos e sinceros é o grande segredo do nosso crescimento, ninguém é burro, todo mundo sabe quando está sendo passado para trás, quando está pagando um valor de entrada ou de bebidas abusivo, quando uma produção não se importa com a qualidade de um sistema de som, ou uma curadoria que não integra artistas locais, LGBTQI+, mulheres, negros nos line ups ou uma equipe de segurança que abusa de poder, uma festa com uma estrutura que não condiz com os valores arrecadados… As pessoas estão cada vez mais ligadas nisso e devem se atentar cada vez mais. A gente trabalha muito duro para entregar uma festa sincera para as pessoas que pagam para ir nela.

Outro fator importante para o crescimento da cena em geral, foi a comunicação entre as pessoas que estavam fazendo a mesma coisa que a gente, temos outros núcleos em Belo Horizonte e já brigamos muito, pôr na maioria das vezes coisas muito bestas. A partir do dia que entendemos que estávamos fazendo o mesmo na cidade e que as coisas deveriam ser boas para todo mundo, a cena tomou um caminho e uma proporção muito maior.

Está ligado nas pessoas interessadas em conhecer o que fazemos e passar esse conhecimento para frente, também foi outro fator primordial para as coisas chegarem onde estão.  Formar DJs, mostrar caminhos, falar sobre os nossos problemas, se encontrar para conversar, ouvir as necessidades de todos, formar cada vez mais produtores, etc.

  • A música é cíclica em qualquer lugar do mundo, independente da região. E consequentemente o mercado musical, acaba sendo da mesma forma. Para você, sendo DJ, como é se manter adaptável neste movimento tão intermitente?

Omoloko: Eu nunca imaginei que iria chegar a lugares que estou alcançando hoje em dia. E foi um processo difícil entender toda a acidez de um mercado que no nosso país movimenta muito dinheiro e que as oportunidades muitas vezes estão na mão de quem tem esses acessos. Os caminhos muitas vezes podem ser extremamente cruéis para artistas que não enxergam esse grande mercado por trás…

Eu procuro construir meu trabalho de uma forma muito pessoal e calorosa, gosto de ir aos lugares e interagir de forma mais presente com as cabeças por trás. Procurar entender como cada cena anda e me adaptar para poder integrar esses movimentos, conhecer como as coisas são feitas em cada lugar, entender as limitações de cada cena, ouvir os DJs que fazem o mesmo que eu por ali…. Acredito que dessa forma as pessoas conseguem entender mais de perto como tudo funciona e diminuir a distância que nos colocam como artistas, pois no final estamos todos fazendo as coisas do mesmo jeito e tentando caminhar para frente.

Acredito que dessa forma meu trabalho vai construindo uma base sólida com as pessoas e acho extremamente importante está sempre por perto e adaptável, entende?

  •       Sabemos que o Nordeste está um pouco distante de eventos e festivais do eixo musical (Sul e Sudeste do Brasil). Em Belo Horizonte, vocês passam ou já passaram por isso? Na sua opinião, como é possível diminuir essa distância, apesar do alto valor das passagens?

Omoloko: No início em BH, tínhamos uma cena muito focada em nós mesmo, nos nossos artistas locais e no que estávamos construindo. Isso ajudou muito a criar uma empatia do público com cada artista de lá, inclusive, contribuiu para que a gente construísse sonoridades únicas que só consigo enxergar em artistas por lá. Muitas das vezes nosso público fica muito mais empolgado quando colocamos uma pessoa de lá para tocar como headline do que uma pessoa de fora.

Eu sou nordestino e sempre achei muito cafona esse olho em São Paulo por exemplo, (que é onde está a maior cena do que a gente faz nesse país). É claro que temos grandes artistas por lá e uma cena gigante, porém temos também a mesma qualidade perto da gente, de festas, festivais e artistas. Acredito muito que o segredo é olhar cada vez mais por quem está perto e se desligar um pouco de grandes nomes que já tem grandes holofotes por cima.

Existe muito artista incrível por aí que não cobra um cache exorbitante e que não está em grandes festivais, mas que tem um trabalho incrível e que estão super dispostos a fazerem as coisas funcionarem, isso faz tudo girar! A gente, e principalmente o público (que é quem paga) precisa começar a credibilizar as pessoas pelo conjunto inteiro do trabalho e não pelos lugares que elas alcançam!

  • Sua tour pelo Nordeste já se iniciou, como tá a expectativa para os outros estados?

Omoloko: Há muito tempo eu não ficava tão ansioso para tocar em um lugar! Vir até aqui é um grande privilégio para mim, nasci em Currais Novos no Rio Grande do Norte e sei a dificuldade que é construir isso por esses lados. Quando recebi o convite da Revérse para vir até Recife, logo procurei outros núcleos em outras cidades para poder fazer essa tour funcionar, fizemos um grande pacotão, dividimos passagens, estou ficando na casa de cada produtor e vou ficar o mês inteiro por aqui conhecendo tudo!

Cheguei semana passada de São Luís, e tive contato com uma cidade que respira música eletrônica de vários níveis, fiquei muito surpreso com a festa que toquei, com os artistas que ouvi e com o empenho daquelas pessoas em construir esses espaços que falamos acima.

Em Recife eu já sinto uma cena muito mais pulsante e estou muito animado para tocar aqui no sábado. Sei que musicalmente vou poder ir em caminhos distintos do jeito que eu gosto, e já me sinto muito à vontade na cidade. Quero comer em Gildo Lanches todos os dias!

Próxima semana parto para Fortaleza e lá vou encontrar alguns amigos. Sei que existem alguns núcleos que andam fazendo festas por lá, tanto de pessoas mais novas quanto de pessoas que já fazem isso há mais tempo. Espero encontrar uma cena LGBTQI+ tão presente quanto a que sinto que vai ser aqui em Recife.

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O evento do Coletivo Revérse irá acontecer sábado (14/03) no Sinspire. O line ficará por conta da Avenoir, Cherolainne, JV e Omoloko.  Quem irá comandar os visuais desse rolê será Marcyanna e Menina Ácida.

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Batestaca terá edição de Carnaval com Noporn (SP) em Olinda

A festa começa na rua, segue o bloco e termina no aguardado after. Ao todo, somam mais de 16h de curtição.

Em Pernambuco você encontra o Carnaval mais diversificado e democrático do mundo: Frevo, coco, maracatu, caboclinho, manguebeat e suas variações, rock alternativo, brega e agora a música eletrônica tornam o estado um grandioso berço cultural e musical.

Agregando à causa, o projeto Batestaca resolveu fazer uma edição de Carnaval no dia 15 (sábado) em Olinda, começando ao meio-dia e terminando às 5h no dia seguinte. Ou seja, serão mais de 16 horas de muita música eletrônica no principal polo carnavalesco do Estado.

O projeto

A Batestaca nasceu como um braço eletrônico do famoso Som da Rural – carro psicodélico do Recife, responsável por disseminar, valorizar e incentivar a cultural local e o uso de espaços públicos.

Nesse sentido, com a Batestaca não poderia ser diferente. O espaço público é o seu principal terreno, valorizando a cena eletrônica local e ocupando a cidade com uma pista de dança indescritível.

A partir do momento que a cidade começa a dialogar com os novos estilos musicais, a música eletrônica ganha espaço e começa a ser pautada como integrante da multiculturalidade nordestina.

“A gente acredita que a Batestaca parte do pretexto de descentralizar a música eletrônica nacional, colocando ela em um ponto de integração entre a cidade, as pessoas e as sonoridades em todos os contextos que a música pode ocupar, desde o âmbito sociocultural até o festivo”, pontua Raquel Alves, co-fundadora da Batestaca.

Percebendo a necessidade de atentar-se aos movimentos eletrônicos locais e a infinita possibilidade de fazer novos ritmos e vertentes soarem pelos ambientes da cidade, o projeto conta com a Rural (modelo de carro da década de 60) como palco para as novas plataformas e tecnologias.

“Usar o Som na Rural como palco para isso faz todo sentido levando em conta o diálogo que o projeto vem traçando com a população, sendo desde sempre um ambiente de troca para a inovação da música em todos os contextos”, avalia Pedro de Renor, co-fundador da Batestaca.

Edição de Carnaval

Com mais de 16 horas de festa, a programação do evento foi dividida em três momentos:

1-Concentração (12h): Será no Sítio Seu Reis que fica por trás da Igreja do Carmo e irá contar com Léo, Nubian Queen, Kai b2b Vands (Dip DJs) e Bayma;

2-Saída do Bloco (17h): Responsável pela saída do Bloco, Libra comandará o cortejo, fazendo um percurso de 1,5 km que terminará em frente ao Recanto do Ingá (antigo Xinxim da Baiana) e local do after;

3-After (19h): Vão se apresentar Nadejda, Ultra, Geni b2b Mx, D’Renor e NoPorn, diretamente de São Paulo.

NOPORN

No ar desde o início dos anos 2000, quando tocavam em clubes de São Paulo, NoPorn estourou como um projeto de poesia recitada, marcada por batidas dançantes e versos sussurrados, revelando hits como Xingu e Baile de Peruas, do primeiro álbum da banda. Em 2016 eles lançaram “Boca”, segundo disco, que une sensualidade aos beats e vibe clubber do duo.

A apresentação conta também com os singles do disco mais recente, como Maiô da Mulher Maravilha, Cavalo e Tanto.

E você? Vai perder essa folia eletrônica pelas ladeiras de Olinda?

Ingressos: https://www.sympla.com.br/batestaca-de-carnaval—em-olinda__773781

Créditos foto: Pavoafotos

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Not Another lança EP Nuklear do Etyen, artista libanês

Em conjunto com o lançamento foi feito um clipe baseado no David Lynch, com cenas cortadas da série Twin Peaks.

De uns tempos para cá o aparecimento de gravadoras anda crescendo de forma exponencial, por causa disso é fundamental ter muita autenticidade e coragem para fazer diferente. Um exemplo é a gravadora pernambucana Not Another, que surgiu justamente com a ideia de querer fazer algo fora do comum. Já renomada no mercado, lança seu 23° EP (Nuklear) do Etyen (artista da cidade de Beirute) que promete ser a personificação da energia bruta e caótica de marteladas sônicas.

Mas antes vamos conhecer melhor sobre a Not Another?

Indo de encontro à dificuldade que a região Nordeste tem em não estar no principal eixo da música eletrônica no Brasil e no processo exaustivo de mandar as músicas para os selos, George Gomes, Bernardo Morais e Fernando (Feemarx), decidiram criar a gravadora para mostrar que na região existe uma força criativa enorme no que se refere à música eletrônica. Seu conceito vai além de produzir festas e ser uma gravadora: com um trabalho robusto, a Not Another acredita que para ir além é necessário trabalhar de forma coletiva, por isso, atualmente, a equipe cresceu e conta com o Rodrigo Ilino, Vitor Moya e Davi Leventhal.

Agindo com muita cautela em qualquer lançamento, você consegue observar que cada detalhe é tudo muito bem pensado, desde o artista, suas produções, comunicação e identidade visual… Ações que fazem uma grande diferença em um mercado extremamente saturado. O Davi Leventhal, responsável pela criação de algumas capas de álbuns da gravadora, idealizou um único desenho e o partiu, dividindo-o para cada EP lançado. Não entendeu? Observe o time lapse feito pelo próprio artista:

Por isso e todo trabalho desempenhado, a Not Another foi indicada em 2017 como o melhor selo para gravadora pelo Rio Music Conference (RMC). A label brasileira nos convida a vivenciar uma experiência de interpretações no campo musical e visual que se torna marcante.

Sobre o EP Nuklear do Etyen

É evidente que o selo recifense e seus artistas demostram maturidade em todo processo criativo, e, em seu novo lançamento, o EP Nuklear do Etyen da cidade de Beirute (capital do Líbano), não foi diferente. O mesmo que já fez parte do Red Bull Music Academy (evento mundial de workshops e festivais), se descreve como um músico, produtor musical e “filósofo das sortes”, encontrando grande poder pessoal e político no ato da expressão musical. Suas apresentações foram locais e internacionais, como no Sonar Festival (ES), Mutek (festival internacional de música que ocorre em diferentes localidades), salas de concerto, festas de sua cidade e até em clubes de Montreal, Londres e Dubai.

O artista que já lançou pela gravadora, é descrito como “um mago da eletrônica” onde produz sons de várias fontes, seja através de lendas libanesas como o icônico Wadih El Safi ou trabalhando como uma variedade eclética de músicos internacionais. Etyen cria um universo sonoro único que é ao mesmo tempo global e enraizado em sua cena local.

Em conjunto com a produção e insistindo na ideia da busca pelo diferente, a gravadora confeccionou um belíssimo clipe baseado em David Lynch, com cenas cortadas da série Twin Peaks. David é um diretor, produtor, artista visual, músico e ocasional ator estadunidense. Conhecido por seus filmes surrealistas, ele desenvolveu seu próprio estilo cinematográfico, que foi chamado de “Lynchiano”, que é caracterizado por imagens de sonhos e meticuloso desenho sonoro, sendo assim a cara do selo e totalmente conectado à produção do Etyen. Confira abaixo o clipe:

No EP pode-se observar também um remix da faixa feita pelo Rolbac, artista renomado no cenário do Techno libanês, com apresentações no Boiler Room, é conhecido pelo seus LIVES, que impressiona qualquer amante da música. No seu lançamento ele consegue ter uma precisão musical vinculada a uma força magnética com uma pitada da sensação oriental antiga inspirada também por suas raízes. É como se os sons pudessem vir de qualquer lugar, criando camadas de sonidos bem trabalhados. É puro acid techno, cheio de psicodelia. É, definitivamente, uma viagem musical!

Quer acompanhar a gravadora?

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https://www.instagram.com/notanothermusic/

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HYPNOS + NBOMB: para algo além de uma festa

Com o objetivo de criar, fortalecer e firmar as produções LGBTQ+ em Recife, surge o evento HYPNOS + NBOMB.

Duas produções, com foco na celebração das diversidades artísticas envolvendo questões de gênero e um local de apreciação da cultura, onde se é pautado um ambiente de conforto e acolhimento que explora movimentações multi-artísticas. Os projetos buscam conceitos estéticos dissidentes para além de DJ sets, envolvendo aspectos da performance corporal, dança, fotografia, iluminação e audiovisual.

Isso tudo e muito mais são essas duas criações que, entendendo a ausência de festas focadas em música eletrônica dentro do cenário LGBTQ+, especialmente dentro do gênero do Techno, vem alimentando a agenda noturna da nossa cidade.

Começando pelo coletivo HYPNOS, festa pioneira do estilo musical em Recife que chegou a ter 6 integrantes, atualmente produzido por Pedro Vasconcelos e Kildery Iara, tendo André Antônio e Libra como DJs residentes. O projeto se formou com a ideia de criar ambientes férteis para o que sempre foi considerado dissonante no cenário mais amplo da cidade: Experimentos visuais e de performance das mais diferentes áreas (drag, teatro, cinema e dança) explorando espaços inusitados ou desconhecidos pela cidade e tudo de uma forma acessível aos mais diversos públicos e classes.

Já a NBOMB, que tem a Vic Chameleon (modelo e DJ residente do coletivo Réverse) como fundadora do projeto, pessoa trans não-binária de Jaboatão, decidiu tomar as rédeas e tocar o projeto. Após a segunda edição, que aconteceu como festa de lançamento do premiado filme “FRERVO” dentro do festival MOV, dirigido por Libra (DJ residente da NBomb) e Thiago Santos, adentrou à produção o casal Gabe Paraíso e Sasha Dowsley; duas mulheres trans, performers e personas ativas em produções da cidade, com o intuito de investir e somar para a ação de pessoas trans em espaços de protagonismo (principal aspecto e meta da festa).

Nessa primeira edição, onde as marcas se unem para fortalecer nossa cena e firmar as produções LGBTQ+ em Recife como referência para a cidade, a HYPNOS e NBOMB trazem Carol Mattos: Co-criadora do coletivo Masterplano (BH) e atualmente atua como produtora e DJ residente do selo Mamba Negra (SP). A Mamba Negra é um selo de festa/gravadora paulista de renome nacional e internacional, com suas produções ganhando espaço em festivais do mundo inteiro. Casa e incubadora da banda Teto Preto, a festa é encabeçada por mulheres que também trabalham construindo o protagonismo de mulheres cis e trans. A Mamba Negra já esteve presente em Recife dentro do Festival No Ar Coquetel, tanto com Teto Preto como com DJ sets de Cashu (co-produtora do selo) e Entropia entalpia (recifense, residente da festa).

Batemos um papo com o Pedro, Vic, Gabe e Sasha, sobre suas dificuldades, alguns esclarecimentos, sobre performances em festas, produções mais inclusivas nos dias de hoje e muito mais.

Vamos acompanhar?

Atualmente quais as maiores dificuldades que vocês encontram?

HYPNOS + NBOMB – Construir um espaço dissonante no início de 2017 até os dias atuais, numa cidade que não se interessava pelos gêneros que apostávamos (como Techno industrial, Acid, EBM e outros experimentalismos) e que tem até hoje como base uma cultura mainstream de música foi nosso primeiro problema, que rapidamente foi desaparecendo dada a adesão do público clubber LGBTQ. Achar locações era e continua muito dificil, não tinhamos grana nem contatos mágicos que apostassem na gente. Talvez o nosso maior problema até hoje seja a invisibilização dentro dos espaços mais hegemônicos, sempre pautados por agentes que fazem parte do status quo. Isso vem se mantendo até hoje, onde artistas e produtoras LGBTQ continuam não tendo o mesmo acesso e valorização.

Sempre vimos performances artísticas nos eventos que vocês produzem, ou seja, vocês fazem questão de introduzir por compreender a força de expressão e a necessidades desses espaços que merecem ser ocupados. Recife ainda não entende muito bem essa forma de arte. O que vocês têm a dizer sobre isso?

HYPNOS + NBOMB – Na real, acreditamos que o Brasil como um todo, de alguma forma, estará preparado para absorver a expressividade corpórea pois está atrelado no âmago da cultura brasileira – seja nas performances culturais do interior, do carnaval, religiosas, enfim; nossa questão é trazer um outro aspecto, diferente sobre a ideia de performatividade.

Com o passar do tempo é perceptível a mudança nas produções de festas. É pouco, mas vocês encontram um mercado mais inclusivo?

HYPNOS + NBOMB – Sim e Não. Sim, porque depois de muita insistência e textão, corpos LGBTQ (especialmente trans) passaram a ingressar e ascender no mercado. Isso é uma luta diária de todas as artistas de praticamente todos os roles que acontecem em Recife e que é necessária. Esses corpos DEVEM ter seu valor reconhecido. Mas, ao mesmo tempo, não. Ainda encontramos um mercado largamente produzido por homens cis héteros brancos de classe média alta e se formos falar de inclusão precisamos falar de toda uma cena que continua escanteada, especialmente negra, funcionando em “ghettos” e que não tem a mesma visibilidade e acesso que poucos têm.

Na cena eletrônica de Recife algumas festas promovem a ideia de “lista trans” com o objetivo de incluir essa comunidade ao cenário. Algumas pessoas entendem isso como um processo de exclusão, de exclusividade para quem é trans. Trouxemos esta pergunta porque ninguém melhor do que vocês para falarem sobre isso, sobre esses dois pontos de vista. Qual a opinião de vocês?

HYPNOS + NBOMB – Tendo o conhecimento sobre a política de inclusão para as pessoas trans, tanto a NBomb como a Hypnos observam que é de extrema necessidade. A lista trans foi desenvolvida para inserir nos espaços aqueles corpos que diariamente são atravessados pela transfobia, vai além de isentar do pagamento, é sobre reparação história e proporcionar momentos de lazer a corpos que, em sua maioria, não possuem acesso, já que durante muito tempo pessoas trans tiveram seus direitos básicos como acesso à educação e mercado de trabalho, negados perante a sociedade, inviabilizando sua presença em N espaços. Esse projeto de inclusão é paliativo, mas uma forma muito importante de aproximar o acesso dessas pessoas para que possamos cada vez mais dar espaço e voz a esses corpos. Que esse conceito inspire a presença dessas pessoas nas áreas de produção e artística dos rolês. É sobre isso!

E como sempre perguntamos… O que vocês acham da cena de música eletrônica de Recife?

HYPNOS + NBOMB – Sempre escutamos esse termo “cena de música eletrônica de Recife” e sempre nos questionamos: “de que cena estamos falando?”. Porque existe uma gama de festas LGBTQ+, pequenas e de médio porte que estão há ANOS construindo um espaço alternativo mas que não são inseridas nessa dita cena abrangente, não são validadas e não recebem a mesma atenção e interesse do público. Muitos dizem que “vão pela música”, mas vão pela música de fato? Fazer uma co-produção entre Hypnos e Nbomb em parceria com um selo no naipe da Mamba Negra (SP) é justamente nossa forma de dizer “ei, estamos aqui! Venham conhecer e curtir com a gente!” quebrar com essa hipocrisia que segrega, construindo esse lugar onde cada vez mais o preconceito fique de lado e haja uma valorização dentro dos espaços LGBTQ também!

O evento será dia 18/10/2019 (sexta-feira), no clube Metrópole às 23h e o line será:
• Carol Mattos (SP);
• Libra;
• Cherolainne;
• Desna;
• Avenoir.

Visuais:

• Sasha;
• Kimberly;
• Lindacelva.

Link para garantir seu ingresso:

https://www.eventbrite.com.br/e/nbomb-hypnos-tickets-72594777935.

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Uma verdadeira imersão na música e tecnologia

Com 25 anos, Time Warp celebra a 2° edição no Brasil.

A agência Entourage traz pelo segundo ano consecutivo o Time Warp ao Brasil. A segunda edição do festival alemão de techno e house acontece nos dias 15 e 16 de novembro no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Serão mais de 20 atrações entre nomes nacionais e internacionais, incluindo Amelie Lens, Pan-Pot, The Black Madonna, DJ Koze, Honey Dijon, Jamie Jones, Peggy Gou, Ricardo Villalobos, Richie Hawtin, Rødhåd, ANNA, L_cio e muitos outros.

O Time Warp surgiu em 1994 e está entre as raízes dos festivais de Techno e House da Alemanha. Ao longo dos anos o festival tornou-se referência na Europa e virou ponto de encontro dos amantes dos gêneros. Muito antes dele desembarcar no Brasil, em 2018, foi essencial para moldar a história da cena underground europeia.

O nome “Time Warp” remete a distorção no espaço-tempo, é uma forma de ultrapassar tais dimensões. Isso tudo movido pelos melhores combustíveis: música, tecnologia e amor.
Sempre excedendo a tecnologia, o Time Warp combina qualidade sonora e iluminação de forma singular. Desde 2009, quando houve a celebração de 15 anos, o festival se uniu a produtores de cinema e artistas de todas as frentes para transformar a atmosfera dos palcos em algo único.

Em sua primeira edição no Brasil, ano passado, o que mais chamou atenção do público foi o palco Cave 2.0, onde apresentaram-se as principais atrações de techno internacional e nacional (Sven Vath, Nina Kraviz, Gop Tun DJs e L_cio e Valesuchi e etc). Na Alemanha, acontece o mesmo. O Cave 2.0 é praticamente um mega-club, com cenografia dark e industrial, marcado por uma iluminação azul e um teto deslumbrante. A sensação é a de estar dentro de uma nave alienígena! No palco, um gigantesco painel de led e projeções pós-apocalípticas ficam nas costas do DJ, ou seja, o Cave 2.0 mostra a quantidade de inovação sonora e tecnológica investida na Time warp, encaixando bem não só com o line-up mas também com o público.

De acordo com Renan Barreto, paulista de 22 anos, o evento foi uma das festas que mais o surpreendeu em 2018 por conta da estrutura, organização e do line up. Na sua opinião os nomes da festa foram Sven Vath e Kolsch. “Depois de ouvir muitos relatos sobre as edições que já aconteceram fora do país, não acreditei que a pista seria tão grande e com o show de luzes tão sinistro. O Cave 2.0, assim como chamado pelos organizadores realmente foi uma das melhores pistas que já vi”, afirma Renan.

Quer conferir um pouco do que foi esse evento ano passado? Saca o vídeo aqui embaixo.

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Música conecta, diversidade agrega, respeito liberta

Este é o lema da Devil’s Den, festa que acontecerá nesta sexta em Recife.

O evento surgiu no final de 2012, época em que o cenário de música eletrônica, estava muito voltado para o EletroHouse e claro, o trance. A ideia da festa veio depois de algumas pesquisas do Rafael Araújo, Ian Chaves e Steve Coimbra (co-fundadores), “lembro que na época a gente parecia que tinha descoberto um novo mundo ao ouvir artistas como Format: B, PleasureKraft”, comenta Rafael. Durante uma conversa entre amigos sobre o projeto, Fernando Figueira e Lucas Lobo aderiram a ideia e tudo foi se encaixando.

Ian que tinha acabado de fazer um curso de DJ no IMEPE, amou as músicas mostrada pelos meninos e disse que ia ensinar ao Rafael e Steve a tocar para que todos pudessem fazer um evento. Junto com a Devil’s surgiu o Doubleminds. De acordo com os envolvidos no evento, a primeira edição teve um grande valor sentimental em suas carreiras, na história da Devil’s e no público recifense, pois neste dia foi apresentado o TechHouse a muita gente que não fazia ideia do que era isso.

Sabe aquela frase: tudo junto e misturado? É a Devil’s Den. Um evento forte (sua cor já diz tudo), bastante presente na cena eletrônica da cidade, com coragem para fazer a diferença, agregando todo tipo de público, como também todo tipo de arte, onde eles próprios alegam que: A Música Conecta, diversidade agrega, respeito liberta.

Este ano para fortalecer o evento e a cena, vale ressaltar a parceria feita com as produtoras Revérse, Ultravioleta e com a gente do portal BITZ.

Conversamos um pouco com o Rafael Araújo sobre a arte ser tão presente em todas as edições do evento, o segredo de se manter como marcar em Recife, o que podemos esperar desta sexta-feira e claro, nossa pergunta que fazemos sempre sobre a cena recifense.

Vamos lá?

1- Desde o início da marca, vocês souberam agregar a arte recifense, como foi isso e atualmente quem participa desta construção?

A nossa ideia foi sempre conectar música e arte. Faz parte do DNA da Devil’s Den explorar o mundo audiovisual ao máximo. A gente teve muita sorte de ter por perto amigos talentosos que reconheceram e abraçaram nosso projeto, dentre eles Pedro Melo, Thiago Couceiro, Pedro Muniz, Thais Cruz, Camila Regueira e coletivos de Pixo. Lembro que desde adolescente a gente sempre se interessou por isso e os roles eram visitas a museus, ateliês e experimentos diversos. Com o passar do tempo, Steve Coimbra foi levando isso mais a sério, fundou o Phantom Five e hoje é curador em uma galeria de arte. Hoje ele é o principal responsável pela curadoria de qualquer tipo de intervenção artística que a gente venha a fazer.

2- Qual o segredo de se manter (como marca) em Recife, sabendo da nossa realidade local?

A gente iniciou em um mercado de música eletrônica aquecido, mas conseguimos trazer algo novo e acho que isso que nos manteve bem no cenário. Sempre tivemos prazer de trazer coisas novas e fora da caixa. Também sempre tivemos consciência de que, em quase 8 anos de atividade, as coisas mudam (incluindo nosso público) e a gente precisa se adaptar para entregar a melhor experiência possível.

3- O que podemos esperar para esta edição e o que vai rolar de diferente?

Estamos muito otimistas com o fato de estarmos realizando esse evento com tantos parceiros antigos e que pensam parecido com a gente. Em momentos como o que vivemos, sentimos um dever social de mostrar o nosso posicionamento. A gente acredita que a Devil’s pode ter um valor fundamental na sociedade.

Falando do evento em si: como sempre a gente planeja transformar completamente o lugar onde a Devil’s Den é realizada de acordo com o que o espaço já oferece como identidade. Dessa vez, trabalhando em cima do Villa Ponte D’uchoa, que é uma casa de festas, buscamos uma ativação com identidade visual de club undergroud. Fazendo o link do rústico, que o lugar já oferece, com o industrial high-tech.

5- O que você acha da cena de música eletrônica de Recife?

A cena aqui se mantém sólida e em muita ascensão. Hoje estou vendo o Techno ter seu espaço na rua e com uma aceitação cada vez maior. Produtoras pioneiras nisso tem trazido ideias muito originais e de graça, na rua. Quando pensamos na música eletrônica de uma forma mais ampla, também enxergamos com muito otimismo os demais tipos de manifestação, vemos uma constante renovação de públicos e a gurizada criando novas labels dentro do universo mais comercial também.

• A Devil’s Den será dia 20 de setembro (sexta-feira) na Villa Ponte D’uchôa;
• Ingressos: https://www.bilheteriadigital.com/devil-s-den-20-09-20-de-setembro;
• Line:

Barja
Jean Bacarreza
Sage Act (live)
STV
Dunno
Nadejda

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MECA – Um festival para todos os públicos

O MECA é uma plataforma multicultural que nasceu em 2010 como um festival de música no Rio Grande do Sul e hoje está presente em cinco estados do Brasil (SP, RJ, MG e PE). Com a proposta de ser um radar da cena cultural nacional e internacional, hoje o MECA produz festivais imersivos e multiculturais, gera conteúdo em canais de mídia proprietários, além de conectar pessoas, marcas e iniciativas culturais em projetos especiais ao longo do ano inteiro. Em 2018, foram mais de 1.400 horas de programação cultural e musical distribuídas em cinco festivais e em eventos na sede do MECA em Pinheiros, como pocket shows, DJ sets, talks e markets. Mais de 35 mil pessoas passaram pelos eventos do MECA em 2018.

Este ano a galera do MECA, resolveu fazer a famosa pesquisa etnográfica na cidade, não entendeu? A gente explica… ao invés de implementar todo o conceito do festival aqui, o pessoal resolveu vim até a cidade (com bastante antecedência) e fazer aquele velho estudo sobre Recife. Mas na real o que rolou foi uma grande conexão entre a produção e o público recifense. Dispostos a entender nossa realidade cultural e musical o MECA foi além e fez com o que o público pudesse participar desta grande plataforma multicultural. Foi como se eles tivessem conhecido um representante de cada tribo da região e decidiram representá-los no próprio festival, implementando um novo conceito de festa para todos os públicos. E claro, a música eletrônica não podia ficar de fora, principalmente neste momento tão quente que estamos vivendo…

De acordo com Danilo Novais, Marketing Manager & Community Planner do MECA, investir em Recife para uma segunda edição era algo certo: “Recife é um dos berços culturais do Brasil. Um dos estados que mais inspira o MECA musicalmente e culturalmente falando. A escolha da cidade tem a ver com essa admiração, com o desejo do MECA de estar conectado com pessoas e lugares que são inspiração para gente. A experiência de 2018 foi incrível, um dos melhores e mais dançantes públicos que o MECA já teve. Daí a certeza de fazer uma segunda edição em 2019. Ou seja, a nossa expectativa está alinhada com o que vivemos ano passado. ”

Já sobre o investir na cena eletrônica não só de Recife, Danilo afirma que veio a partir de sua visita na cidade em julho: “Percebemos como vocês valorizam os artistas nacionais e, mais que isso, os locais recifenses. Ao mesmo tempo em que estão abertos para o novo. E percebemos também uma cena emergente e promissora na cidade, cheia de energia e mentes criativas maravilhosas. Enxergamos que Recife tem uma potência criativa avassaladora! “

Como parte da programação, um time potente de irá se apresenta no Side Stage desde o momento de abertura até o final do festival, esquentando a pista para os shows. Roger Weekes (Inglaterra), DJ de Londres que reside em São Paulo e atualmente é chamado de “disco man”, garante set do jazz ao house com uma mistura de músicas do sul de Londres; Jay West (Argentina), curador e produtor com uma carreira de 15 anos, tem um estilo único e respeitado e seu set é repleto de diversos gêneros como o soul, disco e funk vibes; Iury Andrew, atualmente é o DJ residente da festa Batekoo REC e Pink Lemonade e vai do afro-house ao brega-funk, dialogando com o pop e a black music; JV, o responsável por dar um novo gás no circuito de música do Recife, com o Coletivo Revérse, onde leva a cada palco um set diferente e único que flui entre diferentes estilos de música; Libra, produtora e DJ de música eletrônica de destaque na cena de Recife, além de diretora do curta Frervo; Patricktor4, DJ e produtor baiano, criador do Baile Tropical e especialista em reconectar sonoridades tradicionais a novas texturas urbanas. Para completar, uma dupla residente do MECA, Dimas Henkes e Cleu Oliver, também faz parte do time representando a equipe nas picapes com brasilidades, disco, R&B e pop dançantes.

Programação diurna:

“Música indígena contemporânea: uma riqueza ancestral do Brasil” com Anapuàka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe / (cofundador da Rádio Yandê e do Festival de Música Indígena YBY)

“O que os movimentos culturais sinalizam para 2020?” com Luiz Arruda (head da WGSN Mindset na América Latina)

“Por uma vida mais sustentável na Terra até 2030” com Carlo Pereira (secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU)

Painel “Pernambuco é pop – Como os memes, o cinema e a música pernambucana dão identidade para a cultura do Brasil?” com Ana Garcia (diretora e fundadora do No Ar Coquetel Molotov), China (músico), Aslan Cabral (artista visual e pesquisador livre em arte digital e capital viral) e Amanda Mansur (doutora em Comunicação e professora do Centro Acadêmico do Agreste da UFPE) com mediação de Cleu Oliver (Gerente de Planejamento Criativo do MECA)

Programação Main Stage:

Tulipa Ruiz
Shevchenko & Elloco
Mombojó
Romero Ferro
Noporn
9K

Programação Side Stage:

Roger Weekes (Inglaterra)
Jay west (Argentina)
Patricktor4
Iury Andrew
JV (Revérse)
Libra
Dimas Henkes (MECA)
Cleu Oliver (MECA)

MECABrennand

Data: 14 de setembro de 2019, sábado.
Local: Oficina Brennand – Recife/PE
Horário: 15h às 6h
Compre em http://bit.ly/MECA_Brennand_2019

Acesse: mecabrennand.com
Instagram: https://www.instagram.com/mecalovemeca/?hl=pt-br
Facebook: https://web.facebook.com/mecalovemeca/
Twitter: https://twitter.com/mecalovemeca
Medium: https://medium.com/mecalovemeca

Nos vemos lá? Espero que sim.

Os créditos das fotos no texto/legenda: Fotos do MECABrennand 2018
Helena Yoshioka / I Hate Flash

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Um arrasta-pé do futuro

Forró RED Light mescla forró com elementos eletrônicos, resultando em uma mistura sonora inovadora e diferente.

No tempo de seu Januário (pai de Gonzaga) faziam-se muitas festas no Araripe, que é uma região montanhosa. Daí a expressão ‘forró no pé da serra’, que hoje chamam ‘forró pé de serra’. A expressão era usada por Luiz Gonzaga para se referir ao seu local de infância e juventude, Exu (PE), que fica no pé da Serra do Araripe, também se referia às músicas relacionadas aos forrós desse local.

Já que introduzimos o fator histórico deste som, vamos falar do futuro? Imagine poder escutar este estilo tão nosso, com elementos eletrônicos?Imaginou? Não? Vos apresento, Forró RED Light, um arrasta-pé para o futuro. Projeto formado por Geninho Nacanoa e Ramiro Galas com uma proposta de inovação em um dos estilos mais consagrados no universo musical brasileiro. Entretenimento e diversão são o alicerce desse som que sopra novos ventos, trazendo uma pesquisa de música com versões e remixes de clássicos do forró, do xote e do frevo, mas com uma pitada diferente: um molho eletrônico. Bases eletrônicas e samples fazem o reboco da animação em um sistema forrobodó live PA. A proposta é de um som pegado, um fungado constante de cangote, com um arrastado de chinela buliçosa. Músicas do Brasil e do mundo se misturam ao som de um bom baião ou forró pé de serra.

A banda é de Brasília (DF) e de acordo com uma entrevista para o site ‘Tenho mais discos que amigos’ a dupla comenta que suas referências são um surfe de uma onda gigante que vêm de antes do Heitor Villa-Lobos, passa por ele, bate na tropicália, que refletiu no mangue beat, chegou no Movimento Cerrado no DF e continua. Essa onda é a de misturar, da forma que o tempo permite, o regional e o universal, Brasil e o mundo! Na cultura tradicional, a música indígena e a world music. Atualmente Geninho e Ramiro, estão de olho e bebendo, além das fontes divinas e maravilhosas das MBPs e das músicas regionais “de raiz”, de artistas como DJ Dolores, FurmigaDub, Chico Correa, Attooxxa, Lerry, Muntchako… E a lista continua.

Quer mais? Na mesma entrevista eles comentam sobre a cena independente: “Somos um projeto fruto desse novo contexto musical, cercado de home studios e redes sociais, uma combinação que tem relevado muita gente boa. Hoje a música não é só produto, é processo. Por isso achamos massa que cada vez mais uma galera foda aparece não só porque faz uma música massa, mas porque faz uma música massa de um jeito diferente!”.

Agora vamos escutá-los? Este set foi gravado no XAMA 2019 (https://xama.me/sobre-o-xama/) divulgado pelo Na Manteiga Rádio (https://namanteiga.com/Forro-Red-Light-Xama-2019) que fez todo mundo dançar na pista aquática do Na Manteiga Corona Sunset Hours no evento. Pela próxima hora um live cheio de sanfonas psicodélicas e um gostinho do que rolou neste réveillon da Bahia.

Forró Red Light @Xama 2019

https://www.instagram.com/forroredlight/
https://soundcloud.com/forroredlight

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