Reunião virtual de FMENEZS resulta em EP com artistas nordestinos.

Lançado pela Transensations Records, o EP conta com 4 faixas, e serviu como refúgio criativo para Fernando, Caio Assis, Dan Cunha e Felipe Novaes durante a pandemia.

Falar de Fernando – FMENEZS- é fácil, ele é uma daquelas figuras com senso de humor e risada gigantes, é recifense e em 2020 completou 13 anos de carreira, com passagens pela Europa e diversos estados do Brasil.

Agora falemos de música: “Limbo”, que dá nome ao EP, foi feita com Caio assis -que colaborou diretamente de Salvador-BA- é uma faixa que anuncia sua identidade desde primeiros drops, elementos percussivos dançando junto a um timbre levemente ácido, com efeitos bem processados, nos dão interessantes noções espaciais. A melodia é leve e macia, contrasta, mas não chega a se contrapor aos elementos de ambientação.

O remix assinado por Felipe Novaes – que fez a música na praia de Serrambi-PE- é uma releitura interessante, a melodia principal ganhou novas atmosferas, o baixo mais marcado tornou a progressão mais objetiva, boa para pistas, além disso, os detalhes no uso de delay e reverb são notáveis.

A terceira faixa foi feita em colaboração com o potiguar Dan Cunha, “Renascente” começa com uma declaração mais forte, a harmonia e a melodia mais tensionadas tornam a faixa naturalmente mais agressiva do que as anteriores.

“A Origem” além de ser a única música solo, é a que finaliza o EP; são quase 10 minutos de transe em uma bela jornada. O uso de vocais e timbres orgânicos nos remetem a uma sensação de ancestralidade.

Links do Spotify:

FMENEZS, Caio Assis – Limbo (Original Mix)

FMENEZS, Caio Assis – Limbo (Felipe Novaes Remix)

FMENEZS & Dan Cunha – Renascente (Original Mix)

FMENEZS – A Origem (Original Mix)

Conheça mais e acompanhe os artistas clicando aqui: FMENEZS, Caio Assis, Felipe Novaes, Dan Cunha

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Identidade sonora: explore sua autenticidade

Um ponto de partida um tanto filosófico é começar considerando o seguinte: cada pessoa é um universo singular. As nossas experiências, a maneira que fomos criados, a época em que vivemos, as pessoas com quem nos relacionamos, nossas memórias mais preciosas, nossos traumas, tudo o que consumimos… Isso tudo é parte de quem somos e, portanto, do que ofereceremos ao mundo. 

Calma, você está no texto certo. Estamos falando sim de identidade sonora, mas é importantíssimo apontar que tais vivências – e o modo como as interpretamos – são ingredientes-chave na construção do gosto musical de cada indivíduo. Mais do que isso, abrem na nossa cabeça as mais diversas possibilidades de combinação de influências. Já que somos essa coleção singular de experiências, por que não usar disso para nos diferenciarmos na hora de transmitir nosso trabalho?

Digo isso porque o processo de “encontrar sua identidade” como artista dentro da música eletrônica pode não ser tão linear e imediato para algumas pessoas. É extremamente comum ver DJs que, enquanto vão se descobrindo, fazem verdadeiros passeios pelas mais variadas vertentes ao longo do tempo. Passam, por exemplo, por uma fase focada na pesquisa House/Minimal, em outra época se aventuram no Techno ou Electro, descobrem nesse meio tempo todo tipo de nome de subgênero que existe por aí: é Dark Disco para lá, é EBM para cá… E algumas dessas pessoas, em algum ponto desse processo, chegam a uma conclusão autêntica: “eu não quero ter que escolher uma coisa só para tocar”. Limitar o nosso potencial criativo às particularidades presentes dentro de um certo gênero musical pode nos fazer perder de vista uma infinidade de outras influências incríveis que existem.

Há muito o que buscar dentro de nós mesmos nesse processo. Podemos, por exemplo, definir certos elementos estéticos que nos agradam. Se você gosta de um som mais misterioso, ou então algo mais “percussivo”, há como explorar essas características desde o Ambient ou Downtempo até as vertentes mais potentes do Techno. Outros traços comumente relacionados à nossa identidade são as nossas influências (das antigas às mais recentes, dentro e fora da música eletrônica), ou a um nível ainda mais pessoal: nossas lutas, causas e crenças.

É natural que ao longo do tempo novas influências se manifestem, ou que passemos por mudanças que reflitam no que sentimos nos representar musicalmente. Nessas ocasiões, pode ser muito mais divertido e até mesmo saudável nos deixarmos explorar esses novos estágios. Sair do estático e previsível nos coloca em uma posição de surpreender não só a nós mesmos, mas a todos os demais… e nos confere uma das mais importantes características dentro do mundo da música: a autenticidade.

Com participação contínua e ativa no cenário eletrônico/cultural de Recife, sua cidade natal, Bayma é Dj e produtor. Com paixão incessante por explorar novas
paisagens sonoras e aprofundamento musical.

https://www.instagram.com/baymamusic/

Foto: UHGO

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