Um arrasta-pé do futuro

Forró RED Light mescla forró com elementos eletrônicos, resultando em uma mistura sonora inovadora e diferente.

No tempo de seu Januário (pai de Gonzaga) faziam-se muitas festas no Araripe, que é uma região montanhosa. Daí a expressão ‘forró no pé da serra’, que hoje chamam ‘forró pé de serra’. A expressão era usada por Luiz Gonzaga para se referir ao seu local de infância e juventude, Exu (PE), que fica no pé da Serra do Araripe, também se referia às músicas relacionadas aos forrós desse local.

Já que introduzimos o fator histórico deste som, vamos falar do futuro? Imagine poder escutar este estilo tão nosso, com elementos eletrônicos?Imaginou? Não? Vos apresento, Forró RED Light, um arrasta-pé para o futuro. Projeto formado por Geninho Nacanoa e Ramiro Galas com uma proposta de inovação em um dos estilos mais consagrados no universo musical brasileiro. Entretenimento e diversão são o alicerce desse som que sopra novos ventos, trazendo uma pesquisa de música com versões e remixes de clássicos do forró, do xote e do frevo, mas com uma pitada diferente: um molho eletrônico. Bases eletrônicas e samples fazem o reboco da animação em um sistema forrobodó live PA. A proposta é de um som pegado, um fungado constante de cangote, com um arrastado de chinela buliçosa. Músicas do Brasil e do mundo se misturam ao som de um bom baião ou forró pé de serra.

A banda é de Brasília (DF) e de acordo com uma entrevista para o site ‘Tenho mais discos que amigos’ a dupla comenta que suas referências são um surfe de uma onda gigante que vêm de antes do Heitor Villa-Lobos, passa por ele, bate na tropicália, que refletiu no mangue beat, chegou no Movimento Cerrado no DF e continua. Essa onda é a de misturar, da forma que o tempo permite, o regional e o universal, Brasil e o mundo! Na cultura tradicional, a música indígena e a world music. Atualmente Geninho e Ramiro, estão de olho e bebendo, além das fontes divinas e maravilhosas das MBPs e das músicas regionais “de raiz”, de artistas como DJ Dolores, FurmigaDub, Chico Correa, Attooxxa, Lerry, Muntchako… E a lista continua.

Quer mais? Na mesma entrevista eles comentam sobre a cena independente: “Somos um projeto fruto desse novo contexto musical, cercado de home studios e redes sociais, uma combinação que tem relevado muita gente boa. Hoje a música não é só produto, é processo. Por isso achamos massa que cada vez mais uma galera foda aparece não só porque faz uma música massa, mas porque faz uma música massa de um jeito diferente!”.

Agora vamos escutá-los? Este set foi gravado no XAMA 2019 (https://xama.me/sobre-o-xama/) divulgado pelo Na Manteiga Rádio (https://namanteiga.com/Forro-Red-Light-Xama-2019) que fez todo mundo dançar na pista aquática do Na Manteiga Corona Sunset Hours no evento. Pela próxima hora um live cheio de sanfonas psicodélicas e um gostinho do que rolou neste réveillon da Bahia.

Forró Red Light @Xama 2019

https://www.instagram.com/forroredlight/
https://soundcloud.com/forroredlight

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Um projeto não só de músicos, mas de uma união de criadores.

Com o objetivo de repensar modelos de shows musicais, espetáculos e com seu nascimento focado na multilinguagem, nasceu o Estesia.

Um encontro do duo e produtores musicais Pachka (Miguel Mendes e Tomás Brandão), com o cantor e compositor Carlos Filho e o iluminador cênico Cleison Ramos, que, em conjunto, elaboraram e realizam um espetáculo imersivo. Pensado como um espetáculo teatral, contemplativo e sinestésico, o Estesia agora possui uma abordagem mais catártica e festiva para construir Zonas Anárquicas Temporárias em bares, praças, palcos e casas. Amparado por recursos tecnológicos, Estesia convida o público a acompanhar de dentro do palco uma experiência híbrida de som e luz. A música conduz o espetáculo através do remix do gênero canção e de paisagens sonoras urbanas, eletrônicas e abstratas.

Estesia é também um projeto de pesquisa de seus criadores que experimentam possibilidades performáticas ainda não nomeadas para potencializar novas conexões artísticas e experiência coletivas singulares, como foi o encontro de criadores e pesquisadores de música e tecnologia de Pernambuco que aconteceu no fim de maio deste ano no Portomídia.

Visando não só o palco, o projeto é fragmentado em 3 vertentes onde a primeira é o Estesia Palco (um show que une canção e paisagens sonoras urbanas e eletrônicas, como mencionamos anteriormente), Estesia Arena (uma experiência imersiva e interativa de som e luz que envolve a reconfiguração de espaços, também explicada no parágrafo anterior) e por fim o Estesia Convida ( é um intervenção artística e política que envolve um debate sobre música, tecnologia e produção cultural com convidados da região, seguido de uma apresentação inédita do Estesia + Convidadxs). E é neste último que iremos adentrar a fim de apresentar e convidar para a terceira temporada do projeto que aposta no encontro entre nomes da cena cultural pernambucana debatendo arte, resistência e produção. Serão quatro momentos, em agosto e setembro, com programação que inclui performances do grupo Estesia. A programação das noites será equilibrada com momentos de conversa informal com os artistas e produtores convidados, um show do Estesia com participações especiais e uma celebração final com DJs convidados. Os encontros quinzenais acontecerão a partir das 20h. Nesta temporada, o grupo Estesia receberá convidados como o cantor Barro, a poeta Bell Puã, a escritora Clarice Freire, o projeto Arrete e diversos outros agentes criativos do estado para conversar e trocar experiências sobre suas carreiras e discutir soluções criativas para os problemas atuais do mercado da arte e da cultura. “Queremos encontrar as pessoas onde elas estiverem e, considerando os tempos difíceis que vivemos, achamos que cultivar uma alegria subversiva é também uma forma de resistência. Por isso, o Estesia Convida é um evento gratuito e aberto a intervenções. Nós também queremos ouvir as pessoas”, pontua Carlos Filho. A terceira temporada do Estesia Convida tem como parceiros a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer do Recife e o SinsPire, onde será o evento.

Conversamos um pouco com um dos produtores musicais Pachka, Miguel Mende:

Percebe-se que a maioria dos eventos que vocês promovem como, o encontro de criadores e pesquisadores de música e tecnologia de Pernambuco e agora o Estesia convida são de graça, como é conseguir o apoio necessário (como o da secretaria de Turismo, Esportes e Lazer do Recife) para confeccionar esses eventos?

Miguel Mende – Só para diferenciar, o encontro de criadores e pesquisadores de música e tecnologia de Pernambuco foi um evento de um trabalho feito pelo Pachka (eu e Tomás Brandão) e o Estesia é essa outra entidade maior que envolve Carlos Filho e Cleison Ramo. Esses trabalhos que a gente faz a maioria deles não tem fins lucrativo, a gente quer discutir as coisas e ao mesmo tempo queremos acessar as pessoas. Então por exemplo, o Estesia convida é um evento que desde o primeiro dia ele vem sendo sem fins lucrativos. A gente colocou ingresso da primeira vez para cobrir os custos básicos e agora neste ano, temos o apoio da secretaria de Turismo, Esportes e Lazer do Recife, mas não faz com que a gente pague o cachê. Temos muita gente que trabalha e participa do Estesia convida, mas estão lá sabendo que não tem esse fim lucrativo, então ninguém ganha. O que acontece é que todo mundo acaba ganhando experiência e networking. Queremos que eventualmente seja um evento com fins lucrativos mas para isso têm que ter grana. Então por exemplo, este ano o Estesia convida teve um apoio onde irá garantir o sistema de som, os custos básicos do evento, mas não é o suficiente para pagar a temporada inteira, por isso chamamos de apoio. Já o encontro de criadores e pesquisadores de música e tecnologia de Pernambuco feito pelo Pachka, ele foi dentro do projeto Funcultura e por isso, conseguimos fazer este evento, que não estava planejado pois teria um viés mais acadêmico de universidade, só que mais uma vez a gente nessa “doidice” sem fins lucrativos para aumentar a possibilidade, a gente pegou o pouco a semente que tínhamos que ia ser na própria faculdade, resolvemos fazer algo maior no Portomídia para envolver mais pessoas e não ter aquele aspecto tão acadêmico. Então o que era um simpósio virou este encontro que para a gente foi bem mais significativo. Temos bastante este hábito… queríamos muito fazer ‘as coisas’ remuneradas, a gente faz sem fins lucrativos para ‘as coisas’ acontecerem, mas é mais uma estratégia de sobrevivência da gente fazer um investimento para ‘as coisas’ acontecerem, porque se a gente esperar do jeito que o Brasil se encontra não acontecem. Então, esses eventos todos, o que sustenta (sendo bem sincero) são trabalhos fora que a gente faz na música individualmente ou em grupo), o Estesia faz apresentações por fora para pagar o Estesia convida ou a gente individualmente fazendo outros trabalhos. Este é o primeiro que talvez a gente faça um investimento menor porque a secretaria já deu uma contribuição com os custos, mas no ano passado por exemplo tivemos que fazer algumas apresentações (2 ou 3) para custear o evento e no primeiro ano, tivemos muito apoio, mas mesmo assim ainda é muito difícil de sustentar. Então estamos no terceiro ano com essa cabeça de resistir e fazer as coisas acontecerem.

Conta para gente, com a proposta de discutir a arte feita no Brasil hoje, qual outras questões que serão abordadas na terceira temporada do Estesia convida?

Miguel Mende – O Estesia vem de um background dessa pesquisa e dessa exploração da gente com interação da música feita em palcos e em cenas diferentes, como no teatro, dança… essa música que interage com outras coisas, a gente tem essa experiência de fazer trilha (eu e o Thomás) e o Cleison Ramos fazendo luz e Carlos de participar de eventos como o baile do menino Deus que envolve encenação. Não é só ir lá e cantar uma música, é você ir lá e participar de alguma coisa maior que simplesmente a música e temos muito essa relação com essa reflexão, sobre o que é essa arte presencial. Hoje discutimos muito sobre no Estesia, o que faz as pessoas saírem de casa? como é que a arte pode ser algo presente na vida das pessoas? Então o que fazemos é criar eventos e oportunidades para elas refletirem sobre isso. Inicialmente fazíamos algo mais voltado a uma imersão meio espiritual, com iluminação, muito sensorial, sensitivo, com o tempo alargado para que as pessoas tivessem tempo de refletir. Só que hoje percebemos que o Brasil está muito caótico, as pessoas estão muito ansiosas e a solução que a gente teve foi dialogar com as pessoas onde elas estão e a gente acabou transformando essas novas ações do Estesia, agora em 2019 em uma proposta mais festiva, meio etílica para as pessoas também terem um grau de ‘catarse coletivo’ sabe? Que já existia no Estesia antigo mas era uma catarse comportada porque era no teatro e existia uma formalidade ainda de espetáculo que estamos quebrando e querendo transformar o Estesia mais em uma intervenção explosiva em algum lugar (qualquer lugar que seja). O questionamento que fazemos da arte no Brasil é: como a gente constrói eventos artísticos significativos e presenciais porque estamos vivendo uma vida pautada pela comunicação digital e as pessoas tem dificuldade de sair de dentro de casa e o consumo do entretenimento é um consumo que às vezes faz mal, porque não é um consumo que traga uma reflexão sobre o que está sendo feito ali, ou às vezes é um consumo legal também, onde queremos participar do mundo do entretenimento, mas levando isso que a gente faz, esse embrião que criamos no teatro e agora virou essa festa louca meio catarse, meio congregação etílica de todo mundo. Inclusive, estamos pesquisando sobre ‘zonas anárquicas temporárias’ criar espaços de uma anarquia filosófica emocional, física, temporal… criar espaços onde as pessoas possam se sentir à vontade para serem o que elas são e pensar o que elas pensam e saber ser (o famoso) ser mais.

Vocês enxergam potencial da cena eletrônica aqui em Recife? Como fazer para sair do senso comum quando o assunto é produção?

Miguel Mende – Eu e o Thomas somos de um ambiente de música instrumental e entrou no mundo da música eletrônica pela necessidade de expandir nossa paleta de sons. Queríamos fazer sons diferentes e novos e eu acho que essa é uma tendência (não só no mundo, mas em Recife). Quando fizemos o encontro de criadores e pesquisadores de música e tecnologia de Pernambuco, sentimos que tem uma latência, as pessoas não tem onde estudar (formalmente), as pessoas às vezes não se encontravam e muito menos sabem o que os outros estão fazendo. Eu vejo um potencial muito grande quando vejo uma Boikot, uma Revérse ou quando vejo uma cena de minimal surgindo e a gente quer muito participar, mas achamos que é muito importante entender e respeitar a cena atual que a cidade já tem dessa música eletrônica. Temos que ter o cuidado de não querer inventar uma cena do zero quando por exemplo (gostando ou não) já existe uma música eletrônica Pernambucana, como o BregaFunk que já tem muitos acessos. Então a gente tem sempre que pensar nisso quando queremos imaginar uma cena, temos que construir com a realidade da cidade e hoje é algo que o Estesia reflete (muito pelo Thomas que pesquisa isso) achamos que aponta para um caminho, não só um caminho do sucesso comercial, como um caminho que explora mais sonoridades, onde o instrumento musical pode ser algo além do convencional que, inclusive, pode ser algo de nossa cabeça com sons (é bem viajado, mas eu acho isso, rsrs). A cidade é muito criativa, muito musical e eu acho que para a gente sair disso, precisamos nos encontrar fisicamente e eu acho que o Estesia convida é um momento que a gente faz isso, a gente traz as pessoas para se encontrarem fisicamente e levantar problemas. E o que eu acho que as pessoas devem fazer para fortalecer a cena de Pernambuco de música eletrônica é cada grupo desses ter o seu ou alguma coisa convida, sabe?! É as pessoas provocarem o senso comum, porque as festas já são feitas e são muito boas, como a Reverse… mas eu acho que se a gente trouxesse esse momento de encontro da gente com a gente mesmo de pessoas novas que querem entrar no mercado, de novos agentes, eu acho que conseguimos sistematizar uma série de relações que permitem que a gente saia mais forte daqui, porque criar uma cena aqui é a gente trazer dinheiro para Pernambuco, investimento, grana… não tem como não falar em uma cena e em fortalecer a cadeia se a gente não fala em investimento, dinheiro e por fim, eu acho que esse debate é algo central do Estesia convida.

E por fim, o que move vocês? Ou seja, o que faz vocês fazerem o que fazem?

Miguel Mende – O que mais move a gente é a construção de novos espaços, criar novas formas e, se não existe, iremos dar um jeito de inventar. Eu acho que o Estesia é pensar um pouco nisto, essas novas formas em como a gente consegue se colocar falando de outro jeito, tendo outras relações. Por fim, seria esse amor que temos por fazer as coisas e principalmente fazer com novas formas. A gente cria um ambiente criativo, onde sentamos para criar e vai surgindo e depois queremos testar, mostrar e discutir em como outras pessoas podem fazer também.

PROGRAMAÇÃO:

Quinta-feira (15/08)

Conversa com Sunset Produções e Barro
Show Estesia + Part. de Barro
DJ

Quinta-feira (29/08)

Conversa com Bell Puã e Clarice Freire

Show Estesia + Bell Puã
DJ

Quinta-feira (12/09)

Conversa com Moacir dos Anjos & Arrete

Show Estesia + Part. de Arrete
DJ

Quinta-feira (26/09)

Conversa com A Tropa & Orun Santana

Show Estesia + Part. de Orun Santana
DJ

Show Estesia

Carlos Filho, Cleison Ramos, Miguel Mendes e Tomás Brandão Correia

SERVIÇO

ESTESIA CONVIDA

Datas: 15 e 29 de agosto e 12 e 26 de setembro

Local: SinsPire – Praça do Arsenal – R. da Guia, 237

Informações: (81) 98867-2702

Gratuito

Classificação: 16 anos

  • Foto capa: Marina Sobral
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A música eletrônica e suas conexões

Feito por Lídia Freitas, ela compartilha que desbravar festivais virou sua paixão.

Hoje vim contar um pouquinho de como começou minha vida de rolezeira.

Comecei a dar role em festival de trance com uns 17 anos… nem preciso falar que foi um caminho sem volta né, me apaixonei! De lá para cá (já se passaram 9 anos, rsrs) eu expandi muito meu gosto musical e comecei a frequentar festivais de música eletrônica sempre que tinha oportunidade. Lembro como se fosse hoje do meu primeiro festival fora do Brasil, um EDC em Londres, 2013. Foi mágico, tudo era incrível, a música, o lugar, as luzes, a forma com a qual eu me sentia segura entre aquelas pessoas… sempre comento que pretendo frequentar festivais para o resto da vida. Quero ser aquela vovó que continua usando preto e ouvindo um som louco.

Dentre todas as experiências, festivais, eventos, encontros e reencontros vim compartilhar um dos dias que mais me marcou, quando senti uma felicidade plena através daquele som e que só de lembrar já começo a sorrir.

Morava na Espanha em 2016, lá rolou um festival no pátio da Universidade de Madrid, o Utopia. Fui com amigas, o dia estava muito quente, comecinho de junho, sol até às 21h…. lembro direitinho do Maceo Plex tocando, depois do festival ouvi esse set umas 20 vezes (rsrs). Que rolê, foi inesquecível. Foi um dos últimos festivais que fui durante esse ano que passei lá, tinha muito sentimentalismo envolvido, era quase que uma grande despedida e, por isso, guardo comigo até hoje cada minutinho daquele fim de semana. Construí naqueles dias memórias eternas com minhas amigas e com os novos amigos que fizemos em Madrid. Inclusive, graças a esses novos amigos passamos a noite num apartamento chiquérrimo que merece ser mencionado (rsrs).

Estávamos hospedadas na casa de uma galera que não nos deu a chave… ‘Na real’, eles pareciam estar meio ‘bodeados’ da gente lá, e aí estávamos cogitando passar a noite rondando pela cidade, sem rumo, até amanhecer. Eis que o pai de um desses amigos que fizemos tinha um puta apartamento (que parecia mais um hotel) e nos abrigou: ou seja, num minuto a gente ia passar a noite sentada no meio fio e no outro estávamos tomando banho com água quente e toalhas brancas fofinhas (rsrs) foi engraçado.

Nesse final de semana, criamos um elo que tenho certeza que vai ser para sempre. A música eletrônica une, espalha amor e cultiva irmandade entre as pessoas, é sério! Nunca mais fui a mesma.

  • Foto: Arquivo pessoal Lídia Freitas
  • Foto capa: Kaorone Photography

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