Inovação audiovisual

Da mesma forma que o DJ é uma abreviação para “Disc Jockey”, VJ tem um sentido familiar, que significa “Video Jockey”. Ele é responsável pela performance de arte visual em tempo real, tomando conta da manipulação de imagens e vídeos (Essa experiência pode se tornar ainda mais sensorial quando acompanhada de elementos sonoros). O termo audiovisual vem da sincronia da música e de estímulos visuais, que ajudam dar uma “cara” para  o que está sendo ouvido. É nessa hora que o trabalho em equipe do DJ e o VJ ajudam o público a ter um momento diferenciado, algo que inspira e que pode levá-los a uma outra realidade. 

O termo “visual” não é algo pouco popular, já que somos constantemente expostos a diferentes formas de artes visuais em painéis publicitários no nosso dia-a-dia. Consequentemente, a combinação de visual e áudio já tem um lugar definido no mercado. O VJ assim como o DJ pode viver de sua arte, embora ainda seja bastante difícil. Esta profissão na cena da música eletrônica, mais especificamente na cena do Techno internacional e nacional, já vem ganhando seu próprio lugar em flyers e posters, o que já mostra uma valorização emergente de seu trabalho e também de como o público consome essas experiências altamente tecnológicas.

Esses conteúdos visuais são criados por grandes softwares de animação em 3D no mercado, como Adobe After Effects, Maya e Cinema 4D, permitindo que artistas façam mais e consigam ser ainda mais criativos. A melhor parte é que tudo pode ser feito com um computador e em qualquer ambiente, o que torna fácil para grandes músicos trazerem VJs em suas turnês, representando sua marca de maneira artística e inovadora.

VJs como Strangeloops, Chris Cunningham e Jemma Woolmore são grandes nomes da cena underground e comercial; Jemma Woolmore, por exemplo, já teve performances ao lado de lendas como Ricardo Villalobos, Sven Vath, Paula Temple e Nina Kraviz. Esses artistas trazem uma perfeita representação visual do que está sendo ouvido, momentos únicos que podem abrir a imaginação do público. Essas criações podem incluir diversos formatos geométricos em diferentes contextos, pode contar uma história ou não, mas o mais importante é ter uma conexão profunda e artística com a música.  

DJs e Produtores famosos muitas vezes sentam com esses VJs para planejar bem o que vai rolar em seus sets. Hoje em dia é até natural o público ter grandes expectativas do show como um todo, a ansiedade do que vai rolar de inovador em grandes festas que costumam promover essas surpresas tecnológicas. A Time Warp, por exemplo, é um tipo de festival que investe bastante na produção de algo diferenciado. Não é apenas o line up com nomes famosos, mas um experiência altamente bem elaborada, que toma conta de todos os detalhes visuais e sonoros.

Como público, estamos sempre acostumados a ter algo novo, e é isso que vem sendo pregado por grandes produtoras. Trazer a experiência padrão de alta qualidade, com as melhores novidades. Mas não importa trazer o melhor e o ambiente não ter uma boa energia e uma boa sincronia entre verdadeiros artistas, já que a experiência audiovisual é muito mais complexa do que nós pensamos; é uma área que exige muito tempo e dedicação assim como todo trabalho criativo, e que, consequentemente, tem um poder imenso de tocar nossos sentidos de formas inspiradoras e únicas.

foto: Aphex Twin no Avant Gardner Brooklyn, por Prolo Photo

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Podcast #1 – Feemarx(D-Edge)

Com suas produções solidificadas e estilo único, Feemarx comandará os nossos podcasts.

Feemarx foi traçando seu caminho dentro da musica eletrônica através das suas produções, que foram se solidificando ao longo do tempo. Com suportes de Hernan Cattaneo, Andy Arias, Guy J, entre outros, vem mostrando suas habilidades dentro do progressive house e do techno melódico.

Co-fundador do selo musical Not Another, apresenta suas produções tanto em sua própria label como Baroque Records, Dear Deer Black, Suffused Music entre outras ao redor do mundo. No ano de 2017 seu primeiro album chegou ao TOP 10 do progressive house pela Keep Thinking (UK) e em 2018 atingiu o TOP 1 de Minimal/Deep Tech pela Rezongar Music (AR) e hoje esta na primeira posição geral do beatport com o VA da Joof Redordings.

Feemarx mostra seu estilo único em suas produções entre programações, composições com amáveis toques de synths antigos e grooves apaixonantes.

E agora irá comandar o podcast do portal Bitz. Vamos nessa acompanhar?
Dá o play!

Not Another Music
Requests: [email protected]
Bookings: [email protected]
Instagram @feemarx
facebook.com/feemarxmusic

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A música eletrônica que vem de Peixinhos – PE

A falta de incentivo e valorização dos artistas é o que impossibilita o crescimento da cena de música eletrônica em Pernambuco.

A música começou, se expandiu, e através da globalização obteve uma expansão extraordinária. A multiculturalidade, sempre presente no Nordeste, gera um orgulho de quem somos e de onde pertencemos. Sem cor nem gênero, a música independe da letra ou de seu estilo, é universal, mas sabemos que essa universalidade não é tão clara nos dias de hoje. E por isso a necessidade de conhecer uma outra realidade para que seja espalhada, e de consequência, ocorra uma valorização da cena e de nossos artistas que tanto se esforçam em busca de reconhecimento ou, às vezes, apenas para serem ouvidos.

Conversamos com Iury Andrew, estudante de 22 anos que se divide morando no bairro de Peixinhos e no Cabo. Yuri é ator e claro, DJ. Ele demonstra um posicionamento crítico e forte sobre o mercado musical em Recife, das suas dificuldades e do público caloroso que temos.

Como a música entrou na sua vida?

Yuri Andrew-  A música sempre esteve presente na minha vida, embora eu não tenha artistas na família, minha casa sempre foi muito musical. Enquanto não estava tocando um brega romântico nas sociais que mainha fazia, tocava D2, Nação Zumbi ou aquele CD pirata dos melhores black music que o meu tio ouvia. Eu conheci a música como arte através da minha tia que me apresentou o rock nacional e o internacional, como também o pop. Ela é fã do Rappa e da Amy Winehouse, mas eu percebi a música fazendo sentido para mim quando eu conheci a Pitty, no qual eu sou fã até hoje. Foi justamente por esse fanatismo que eu descobri que poderia ser fã de vários artistas. Pitty sempre teve um discurso muito amplo. “Você pode ser rockeiro e você pode ouvir um funk, sabe… você pode ouvir o que você quiser, você pode ser o que você quiser”. E foi isso que me fez amplo e estar aberto sempre a novas propostas musicais.

Qual a dificuldade de adentrar no mercado musical?

Yuri Andrew- Em primeiro lugar, eu acho que a maior dificuldade de adentrar nesse mercado é você não ser branco, em seguida é não ter os contatos certos (para ser bem sincero, rsrs).Quando você tem esses contatos, nem precisa ser bom para início de conversa. Ou seja, um bom pacote estético (que venda) e bons contatos, tudo flui mais fácil. Você nem precisa ser DJ, entende? É o que eu tenho mais visto nos últimos tempos. Então eu não posso fazer um discurso ilusório de que a maior dificuldade… é sei lá… é saber tocar, por exemplo, ou ter material. É óbvio que ninguém começa sabendo, ninguém começa sendo DJ, mas é claro e evidente o privilégio. O mercado tem crescido e com ele o ‘hype’. Eu tive bons contatos, mas também tive muita dedicação, tive que ser três vezes melhor.

Qual sua particularidade musical e o que você gosta de escutar?

Yuri Andrew – Para mim tem se concentrado na black music.  Tenho experimentado muitas coisas, pesquisado muito e tenho gostado do afrobeat, funk, afrobeat + funk, e claro, a house music, que ultimamente se encontra muito presente na minha vida. Então, eu tenho escutado muita coisa, como ‘R&B, mas, ultimamente, tenho ouvido uma música especial que se chama ‘Shea Butter Baby’-, minha preferida, lançada em 2019, de uma artista novata chamada Ari Lennoxque que em breve irá lançar o álbum. Ouço muito Amy, o novo disco da Lineker, o novo disco do Baco Exu – que não é tão novo assim –  e George Smith também.

O que é ser DJ em Recife?

Yuri Andrew – É a pergunta mais difícil, espero responder de uma forma crítica, mas não tanto, pois até agora para mim é sobre não saber se o próximo mês vai estar com uma agenda lotada ou não. Por mais que venha dando certo, ainda resta aquela dúvida. Eu não sou tão comercial e não alcanço a grande massa conservadora, que são as maiores, as festas “hétero” que dominam a cena aqui. A falta de respeito com o artista infelizmente é uma coisa que tem muito a melhorar em Recife, incluindo a valorização da cena local. Não somos alguém ali apenas para colocar música, é assim que muitos produtores lidam com a gente, artistas locais. Falta valorização, falta um cuidado, um valor dado ao nosso trabalho, sabe? É como se a gente não fosse tão artista quanto qualquer atração que vem de fora ou que tem algum nome a mais.

Não é uma questão de regalias e nem de extremismo, é uma questão de ter o cuidado certo, de ter o tratamento certo. Porém tem também a parte boa, para também não sair como o chato nessa entrevista (rsrs). Sem dúvidas o público recifense é um dos mais calorosos e receptivos, a gente tem uma magia nordestina que em nenhum outro lugar tem. Muita gente talentosa aqui, gente tocando, performando, gente fazendo a noite acontecer, a noite independente (principalmente) que admiro muito.

Instagram: @iuryandrew

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